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BrasilPolícia Federal · Apreensão de 2019

PF apreendeu 583 kg de cocaína e fuzis em fazenda de Valmir Climaco em 2019; denúncia do MPF não incluiu o então prefeito

Operação de 7 de julho de 2019 encontrou a droga, dois fuzis, uma pistola e dois aviões na Fazenda Borboré, às margens da Transamazônica, em Itaituba. Climaco negou envolvimento, e as investigações não estabeleceram ligação entre ele e a droga.

Consulte as fontes desta matéria

Valmir Climaco em retrato de arquivo no escritório
Fotografia de arquivo de 2019 · Nelson Almeida/AFP. O retrato não registra o episódio tratado nesta matéria.

A Polícia Federal apreendeu 583 quilos de cocaína, dois fuzis, uma pistola e dois aviões em 7 de julho de 2019 na Fazenda Borboré, às margens da Transamazônica, em Itaituba, no sudoeste do Pará. Valmir Climaco (MDB), então prefeito do município, confirmou que a fazenda era dele e negou envolvimento com a droga. Segundo reportagem da Repórter Brasil publicada em agosto de 2026, as investigações não estabeleceram ligação entre ele e a cocaína, e o Ministério Público Federal denunciou oito pessoas no caso, sem incluí-lo entre os acusados.

Como foi a operação

Agentes da PF chegaram à fazenda na tarde daquele 7 de julho, um domingo, depois de monitorar um voo considerado suspeito, segundo a Folhapress. A área fica às margens da BR-230, a cerca de 45 quilômetros da cidade; o blog Jeso Carneiro situou o ponto nas proximidades do km 43 da rodovia, no sentido de Jacareacanga.

De acordo com as informações da PF reproduzidas pela imprensa, cinco homens transferiam a droga para uma caminhonete no momento da abordagem. Dois foram presos em flagrante e três fugiram. Além da cocaína, foram apreendidos cerca de 200 gramas de maconha do tipo skunk, dois fuzis AR-15, uma pistola 9 milímetros, carregadores, munições, uma mira holográfica, uma luneta, rádios de comunicação, um telefone, a caminhonete e as duas aeronaves, um monomotor e um bimotor.

A Folhapress registrou que, até aquele momento, era a maior apreensão de cocaína feita no Pará em 2019, com pouco mais de um terço das cerca de 1,5 tonelada apreendidas no estado no ano. O blog Jeso Carneiro informou ainda que uma verificação junto à Força Aérea Brasileira não encontrou registro nem autorização de voo para a região. Parte das reportagens da época arredondou o total para 600 quilos.

Arte sobre a apreensão de 2019 na Fazenda Borboré: 583 kg de cocaína; dois fuzis, uma pistola e dois aviões na propriedade; o MPF denunciou oito pessoas, sem incluir Valmir Climaco.
Arte editorial do Ponto Notícias com dados das fontes desta matéria. Composição tipográfica, sem fotografia; não retrata o local nem as pessoas envolvidas.
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O que disse o então prefeito

Climaco negou qualquer relação com a droga. Ao blog Jeso Carneiro, afirmou que não autorizou ninguém a pousar na pista da fazenda, que, segundo ele, estava desativada havia cerca de 12 anos, e que suas aeronaves ficavam em um hangar regularizado na área urbana de Itaituba.

À Folhapress, o prefeito atribuiu a um empresário de Santa Catarina a responsabilidade pelo avião que transportou a droga. Segundo Climaco, o empresário negociava a compra de um de seus três garimpos por R$ 4 milhões e teria dado uma das aeronaves apreendidas como entrada, em transação registrada em cartório; depois, pediu o avião emprestado para visitar o sogro doente, e o prefeito disse que acreditava que o voo seguia para Manaus. Ele contou ter sabido da apreensão na noite de domingo, por telefonema da mulher do vaqueiro da fazenda, e ter procurado a PF na manhã seguinte para apresentar sua versão.

Em 2020, o site De Olho nos Ruralistas registrou que Climaco declarou à PF que a pista estava abandonada e que parte da propriedade havia sido invadida.

O andamento do caso

Dois dias depois da operação, a PF informava que a investigação ainda não havia estabelecido conexão entre a droga e o prefeito, segundo a Folhapress. Em reportagem publicada em 25 de agosto de 2026, a Repórter Brasil informou que as investigações não chegaram a estabelecer essa ligação e que o Ministério Público Federal denunciou oito pessoas no caso, sem incluir Climaco entre os acusados.

Os nomes dos denunciados, a data da denúncia, o número do processo e o andamento da ação penal não constam das fontes consultadas pelo Ponto Notícias.

O caso no tempo

  1. 07/07/2019

    PF apreende 583 kg de cocaína, armas e dois aviões na Fazenda Borboré; dois presos e três fugitivos

  2. 08/07/2019

    Climaco diz ter procurado a PF pela manhã para apresentar sua versão

  3. 09/07/2019

    PF informa que a investigação ainda não ligou a droga ao prefeito

  4. 25/08/2026

    Repórter Brasil informa que o MPF denunciou oito pessoas, sem incluir Climaco

  5. 11/09/2026

    TRE-PA defere o registro da candidatura de Climaco a deputado estadual; cabe recurso

Contexto e alcance da informação

Segundo a Folhapress, em 2019 a área da fazenda era reivindicada pelo povo Munduruku. Em junho daquele ano, de acordo com relatos levados ao Ministério Público Federal, Climaco teria dito em uma reunião que servidores da Funai seriam recebidos “à bala” se tentassem entrar na propriedade para cadastrar moradores de uma área delimitada por estudo indigenista. Ele negou a ameaça, mas confirmou ter dito que a Funai não entraria em sua propriedade. O desfecho dessa apuração não consta das fontes consultadas.

Hoje ex-prefeito de Itaituba, Climaco disputa em 2026 uma vaga de deputado estadual pelo MDB. Em 11 de setembro, o TRE-PA rejeitou o pedido de impugnação apresentado pelo Ministério Público Eleitoral e deferiu o registro da candidatura, decisão da qual cabe recurso, como mostrou o Ponto Notícias.

Esta matéria descreve a apreensão, as versões apresentadas e o andamento documentado nas fontes listadas abaixo. Nessas fontes, não há acusação formal contra Climaco pelo caso.

Fontes desta matéria

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