Avião comprado em 2009 só apareceu na declaração eleitoral de 2020, aponta cruzamento de registros públicos
Reportagem cruzou dados da ANAC, Receita Federal e Justiça Eleitoral e apontou divergências entre patrimônio declarado e registros públicos; não há, nas fontes consultadas, decisão de órgão de controle sobre esses pontos.

A aeronave
O Observatório da Mineração cruzou o Registro Aeronáutico Brasileiro com as declarações entregues à Justiça Eleitoral e apontou que a aeronave Cessna 210-L de prefixo PR-LHP foi adquirida por Valmir Climaco em setembro de 2009, mas só foi declarada ao Tribunal Superior Eleitoral em 2020, pelo valor de R$ 250 mil. A reportagem registra que anúncios de aeronaves com as mesmas especificações variavam entre R$ 1 milhão e R$ 3,5 milhões.
O gado que não aparece
Em vídeo institucional publicado em 2020, o próprio Valmir descreve a Fazenda Bela Vista com rebanho de cerca de 2.000 cabeças e menciona outras fazendas. Nas declarações de bens entregues à Justiça Eleitoral, segundo a mesma apuração, não consta rebanho. A reportagem também aponta participação societária declarada muito abaixo do capital social registrado das empresas e uma empresa que, declarada por ele em 2016 com capital de R$ 5 mil, passou a R$ 800 mil em nome de um filho.
O que isso significa e o que não significa
A Resolução do TSE que rege o registro de candidaturas manda informar os bens pelo valor declarado à Receita Federal, sem atualização pelo preço de mercado, de modo que valores abaixo do praticado no mercado não são, por si, irregulares. Omissão de bens é outra questão e pode ser examinada pela Justiça Eleitoral. As conclusões são da reportagem; não há, nas fontes consultadas, decisão de órgão de controle sobre esses pontos. Procurado pela publicação na prefeitura e no telefone pessoal, o então prefeito não respondeu.


